
Quem é a pessoa que você mais conhece? Sua esposa(o)? Seus pais, seus irmãos(ãs)? Seus amigos?
Quando entramos na vida de algumas pessoas e passamos a conviver um longo tempo com elas começamos a acreditar que as conhecemos. Porém, o que aconteceu antes de nos encontrarmos? Quem era ela? O que ela fez ou costumava fazer? Como foi seu passado?
E então criamos laços: amizades, namoro, família, passando a ter afeto por uma imagem que sequer sabemos se é real, mas que gostamos e, por incrível que pareça, confiamos. Apenas para depois de um tempo sermos traídos, enganados, ludibriados. De quem é a culpa afinal?
Sua! Minha! Daqueles que não buscam no passado, na história, o alicerce de um bom (e seguro) relacionamento.
E que terrível insulto é entrar na vida do outro sem antes perguntá-lo sobre seu passado! É como ser atraído apenas pela beleza física, é como se nada que o outro tenha feito no passado, de bom ou ruim, tenha qualquer valor, é como querer construir uma nova história do zero, sem pedir permissão. Pior ainda é omitir ou falsear o próprio passado, é traição prévia.
Ainda há aqueles que, muito irresponsavelmente, cultivam o amor em solo raso, escasso de conhecimento um do outro. Como pode algo tão sublime, que compromete tanto a saúde física, mental, espiritual, crescer sobre o frágil suporte de mentiras, meias-verdades, ilusões e pouca informação?
Você não entregaria sua chave de casa, do carro, sua senha do abnco a um estranho. Mas corações são fartamente distribuídos a torto e a direito por aí. Ficar, namorar, casar são relações íntimas, perigosas e podem se tornar frágeis e instáveis quando não há conhecimento mútuo.
Mas, e agora? Ceder ao "padrão" global que trata as relações afetivas interpessoais dessa maneira ou fazer "do jeito certo" e correr o risco de ficar sozinho até a morte??
