quinta-feira, 11 de março de 2010

O Medo

O medo é o nosso cinto de segurança. São nossos grilhões, nossos arreios. O medo é a cerca no meio do caminho com uma placa dizendo "Seu limite está próximo". O medo nos impede de ousar, de ir além (seja o além um abismo ou o paraíso). O medo faz parte do que somos, é um caráter evolutivo, certamente conseguimos sobreviver por causa dele, mas e quanto ao viver?

Meus medos se difundem nas mais diversas áreas da minha vida. Às vezes eu costumo chamar de receio, precaução, intuição ruim, mas no fundo eu sei que é medo. Meu medo mais comum é de acidentes, e nele se inserem o medo de altura, velocidade e, mais recentemente, do mar. Em resumo pode-se dizer que eu tenho o medo primordial: o medo da morte. Também tenho medo de ser rejeitado, de não ser querido, de não ser aceito, o medo do ostracismo (que explica grande parte do meu comportamento).

Nessas últimas horas me veio um medo maior e mais preocupante, como uma onda de maré alta afogando apenas meu coração, era o medo de morrer sozinho.

Já há algum tempo eu vejo amigos se afastando de mim e eu me afastando daqueles que julgava serem amigos. Olhando em volta, além da minha família (os amigos incondicionais), só me restou uma única pessoa que eu confio em chamar de amigo, e eu posso dizer que é mais por esforço dele do que meu. O que eu sei é que agora eu não sei mais como fazer e manter uma amizade verdadeira, e isso me dá muito medo.

Meu pior pesadelo, quando sonho acordado, é me ver sozinho no mundo: com tantas coisas interessantes pra fazer sem ter com quem compartilhar, com tantos riscos a correr e ninguém pra me salvar, com tanto a evoluir e ninguém a quem mostrar, com tanto a sofrer e ninguém para confortar. E cada passo que dou na longa linha do tempo me deixa mais próximo desse cenário.

Preciso de ajuda, preciso de amigos, preciso deixar que esse medo exista apenas como uma vaga lembrança.

E você? Tem medo de quê?
Essas músicas aqui falam sobre o medo, dê uma olhada:
The Fear - Lily Allen
Miedo - Lenine e Julieta Venegas

quinta-feira, 4 de março de 2010

Perdido

Estar perdido não é não saber onde está, é não saber para onde ir.
É isso que eu penso, é nisso que acredito e é assim que estou.


Nos últimos dias, talvez meses, tenho pensado sobre o futuro, especificamente o meu, mas tudo que eu consigo vez é uma imagem embaçada, nuvens escuras, névoa. Meu futuro tem se mostrado indefinido para mim.
Estou perdido não num plano físico, mas no plano temporal. Não é como se não houvesse nada à minha frente, como se eu não tivesse para onde ir, é justamente o contrário. Quando eu era criança eu sonhava com o futuro, planejava, traçava meus passos num belo caminho imaginário. Mas aí o futuro chegou, finalmente, e eu já peguei tantos atalhos, desvios, rotas alternativas que já não sei mais por onde seguir e, por fim, esqueci meu destino.
Agora me vejo frente às diversas alternativas que já desejei, todas com um futuro brilhante e feliz à mostra e eu simplesmente não sei o que escolher. Queria ficar com todas, seguir todas, mas parece que os caminhos felizes da vida fatalmente não podem ser paralelos. Por que tanta dicotomia? Porque tantas escolhas auto-excludentes?
Minha mente não é uma só. Minha alma não é uma só. Sou múltiplo e estou dividido. Um multiverso num universo de caminhos marcados por escolhas.
E então estou perdido: nenhum mapa, bússola ou GPS, nenhuma dica, conselho ou orientação pode me ajudar. A estrada eu já conheço, só não sei aonde vai dar.