terça-feira, 24 de abril de 2012

Inveja da boa e da melhor.

"Ói eu aqui travez!"
E parece que eu só venho aqui quando eu tô perdido, na esperança de encontrar aqui o meu destino.

Na verdade eu tenho visto este blog, recentemente, como uma espécie de "penseira", na qual ao escrever meus pensamentos eu estaria depositando-os fora da mente, numa tentativa de organizá-los. Nesse processo eu acabo esperando encontrar o novo ou o antigo rumo, por ora perdido, como quando você arruma o quarto e redescobre um brilho novo nas coisas velhas ou finalmente encontra aquilo que, no passado, você tanto procurou.

Hoje eu vim falar sobre a inveja. Sim, aquele sentimentozinho horrendo e abominável, que separa as pessoas e só traz desgraças e dores, não é? NÃO É?!

Não é. Pelo menos não como eu penso a inveja. A inveja surge pela diferença entre as pessoas e pelo valor atribuído a essa diferença. Logo, enquanto houver pessoas diferentes julgando-se (a si e ao outro) melhores ou piores, haverá inveja. Isso não é essencialmente ruim, afinal a inveja, assim como o amor, é nada mais que um sentimento se não vier acompanhado de ações.

E aí está o problema: tradicionalmente a inveja tem sido vista como causadora de más ações, mas eu não acredito que ela sequer cause, por si só, qualquer ação. É muito mais provável, para mim, que a inveja atue como motivadora de ações. Mas que tipo de comportamento a inveja poderia motivar?

Um deles é o comportamento destrutivo. Tendo a diferença sido estabelecida, uma pessoa acaba possuindo algo considerado bom e a outra ou não possui o mesmo, ou possui algo considerado ruim. Sendo assim, aquele que está no lado desavantajado da balança pode tentar reestabelecer o equilíbrio, a equidade, tentando destruir ou danificar o que de "bom" o outro possui. Esse tipo de atitude, apesar de motivado pela inveja, é mediado por outros sentimentos que permeiam a relação entre as pessoas, como o amor (ou ódio), a amizade (ou inimizade) e o respeito (ou desrespeito). Esses sentimentos, sim, terão papel crucial no caráter da ação motivada pela inveja.

Me parece também que a inveja está quase sempre relacionada à cobiça. Quando há diferenças entre as pessoas e uma delas possui algo que é considerado melhor, é natural que a outra deseje também ter aquilo. Nesse caso, ela pode tentar roubar para si o que é do outro, inclinando a balança de vantagens para o seu lado. Porém nem tudo pode ser roubado, não é?

Contudo, não esqueçamos que a cobiça é meramente desejar fervorosamente algo para si. Cobiçar, mediado pela inveja, é desejar para si algo semelhante ao do outro, mas não necessariamente ou exatamente o que o outro possui (a não ser, é claro, que tal posse seja algo incomparável e exclusivo).

Portanto, é possível satisfazer a cobiça motivada pela inveja sem ter que roubar. Comprando, criando, construindo para si o que o outro tem, tentando alcançá-lo ou até superá-lo, trabalhando para torna-se melhor, para ter o melhor. Acredito que isso é popularmente conhecido como "inveja boa".

Nos animes que assisto, a inveja aparece regularmente como motivadora de rivalidades entre personagens que, apesar disso, não deixam de ser amigos. Medindo-se pelo outro é possível, inclusive, alcançar juntos as melhorias desejadas, num processo ilimitado!

Isso, é claro, vai depender da relação já estabelecida entre as pessoas. Quando algo de "bom" acontece a alguém que você ama, espera-se que você se alegre pela conquista do outro, mas isso não é tão fácil quando se acredita estar no lado carente da balança. Então existe o sentimento de decepção e raiva consigo mesmo que, se bem canalizado, pode levar a atitudes construtivas positivas para si.

Por fim, o que eu concluo é que não existe inveja boa ou má. Existem pessoas boas ou más e relações de afeto ou desafeto nas quais a inveja surge. Nessas situações, ela será motivadora de ações, cujo caráter (bom ou mau) dependerá da índole do invejoso e das relações entre invejoso e invejado.

sábado, 15 de outubro de 2011

Abandono

Eu de novo. E de novo. E dessa vez escrevo pra mim mesmo, pouco me fudendo pra quem, por acaso, estiver lendo. Se quiser entender, entenda. Se não, foda-se você também.
É porque hoje estou com raiva e, na falta de alguém melhor para culpar, culpo a mim mesmo. E aí começa a discussão interna que pode levar ao caos o mundo aqui de dentro.
É que hoje eu preciso de amor, hoje preciso de carinho, hoje preciso de atenção e cadê? Abandono.
As pessoas estão fugindo de mim, evanescendo à minha volta, correndo dessa criatura estúpida, arrogante, chata e entediante que me tornei. Tudo por que um dia eu tive a idéia absurdamente idiota de ajudar, agradar e deixar todos felizes.
Quando as pessoas com quem eu me importo estão tristes, eu sinto sua tristeza. Vou lá alegrá-las, mesmo que para mim a situação possa estar ainda pior. Mas quando elas estão felizes e eu não, simplesmente não consigo ficar feliz por elas, apenas afundo-me ainda mais no poço lodento da depressão. Que tipo de monstro invejoso eu sou?
Mas é verdade e estou triste. E preciso de atenção, amor, carinho e alguém pra me alegrar. E cadê? Cadê?!

Na verdade essa sensação de abandono vem de 3 motivos principais:
1. Minha irmã mais nova está morando em outra cidade. Já faz um ano. No começo ela voltava todo final de semana, mas agora isto está cada vez mais raro. Por mais que eu tenha previsto que isso aconteceria, é tão difícil quando acontece! Eu sinto que a estou perdendo aos poucos e cada vez mais, perdendo-a para outra cidade, para outros amigos, para outra família! E a sensação horrível de que ela não vai mais voltar, de que nunca mais vai ser como antes, de que a separação é definitiva, isso me destrói a cada manhã. E isso me deixa ciumento e incrivelmente chato, o que só a afasta mais.

2. Estou perdendo o contato com o meu melhor amigo. E apesar de ainda morarmos apenas a algumas dezenas de metros, a distância temporal tem nos afastado. Pelo menos é isso que ele diz. Bullshit! Nos últimos meses eu até tenho tentado me fazer mais presente na rotina dele, participando dos mesmos grupos e eventos, mas ele pouco interage comigo, conversa comigo, e muitas vezes sequer expressa satisfação quando eu estou por perto. Agora ele tem novos amigos, novos interesses, novos futuros. E eu? Bom, acho que eu pertenço ao passado.
É isso ou ele sempre foi assim e eu nunca reparei. E agora, num momento de carência, eu finalmente percebo. Sinto que isso, na verdade, começou quando ele conseguiu uma quase-namorada (é, quase). Costumava pensar em nós como sendo two of a kind, tínhamos tantas coisas em comum e de repente tudo mudou. Ou fui eu que mudei meu modo de vê-lo, não sei. Era como se a conexão sobrenatural que eu imaginava existir entre a gente tivesse sido quebrada e agora eu estava sozinho. O único da espécie enquanto ele virava mais um na multidão. E isso me deixou ciumento e incrivelmente chato, o que só o afastou mais.
Sim, eu tenho ciúmes dos meus amigos e amigas, das minhas irmãs, dos meus pais, de todos os que amo tão imensamente que torna-se possessivamente. Isso cria em mim um medo grande e insano de perdê-los para sempre.
3. Eu me formei. E mesmo que isso possa parecer feliz no momento, também traz consequências ruins a longo prazo. Principalmente para mim, que amo minha turma. (minha história de amor com a minha turma é muito grande. Acho que vou deixar pra outro post). Com o fim da graduação, as pessoas começaram a se dispersar, seguir seus próprios caminhos, debandar a procura de suas respectivas felicidades. Como é difícil reunir a galera de novo, passar um tempo juntos, nos divertirmos! Isso me deixa cada dia mais triste, porque não é que eu não possa fazer nada pra resolver, o problema é que EU NÃO SEI O QUE FAZER!

Bom, é isso, perdido de novo.
Queria que alguém lesse isso. Queria que as pessoas certas lessem isso. Mas acho que aí já é pedir demais.
Vou procurar o ombro da minha nova melhor amiga pra chorar e espero que ela me mostre um novo caminho pra felicidade.

sábado, 30 de outubro de 2010

Te conheço?




Quem é a pessoa que você mais conhece? Sua esposa(o)? Seus pais, seus irmãos(ãs)? Seus amigos?

Quando entramos na vida de algumas pessoas e passamos a conviver um longo tempo com elas começamos a acreditar que as conhecemos. Porém, o que aconteceu antes de nos encontrarmos? Quem era ela? O que ela fez ou costumava fazer? Como foi seu passado?

E então criamos laços: amizades, namoro, família, passando a ter afeto por uma imagem que sequer sabemos se é real, mas que gostamos e, por incrível que pareça, confiamos. Apenas para depois de um tempo sermos traídos, enganados, ludibriados. De quem é a culpa afinal?

Sua! Minha! Daqueles que não buscam no passado, na história, o alicerce de um bom (e seguro) relacionamento.

E que terrível insulto é entrar na vida do outro sem antes perguntá-lo sobre seu passado! É como ser atraído apenas pela beleza física, é como se nada que o outro tenha feito no passado, de bom ou ruim, tenha qualquer valor, é como querer construir uma nova história do zero, sem pedir permissão. Pior ainda é omitir ou falsear o próprio passado, é traição prévia.

Ainda há aqueles que, muito irresponsavelmente, cultivam o amor em solo raso, escasso de conhecimento um do outro. Como pode algo tão sublime, que compromete tanto a saúde física, mental, espiritual, crescer sobre o frágil suporte de mentiras, meias-verdades, ilusões e pouca informação?

Você não entregaria sua chave de casa, do carro, sua senha do abnco a um estranho. Mas corações são fartamente distribuídos a torto e a direito por aí. Ficar, namorar, casar são relações íntimas, perigosas e podem se tornar frágeis e instáveis quando não há conhecimento mútuo.

Mas, e agora? Ceder ao "padrão" global que trata as relações afetivas interpessoais dessa maneira ou fazer "do jeito certo" e correr o risco de ficar sozinho até a morte??

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Rótulos


O ser humano é um bicho complexo (é bicho mesmo!). Não apenas do ponto de vista morfo-anato-fisiológico, mas por ser algo difícil de definir.

Essa dificuldade vem do fato de que nós somos a única espécie conhecida (por nós, obviamente) que tem esse hábito de definir tudo o que encontra - definimos, identificamos e classificamos praticamente tudo à nossa volta, da microscópica molécula perdida no nada até a gigantesca galáxia em que estamos perdidos - esbarrando, contudo, na definição de nós mesmos.

Convenhamos, porém, que é muito mais fácil definir o outro, o estranho, o externo do que a si próprio. Como delimitar o que é a nossa própria identidade?

Primeiramente vou esclarecer qual será a noção de identidade usada daqui por diante: a identidade não é aquele papel com sua foto, o nome de seus pais, sua data de nascimento e outras pequenas informações. Ela também não é o número escrito no papel (aquilo é seu Registro Geral, vulgo RG). A identidade é um conjunto de fatores que lhe caracteriza, que lhe identifica, que diz quem você é. Ela é, portanto, o conjunto de informações que, juntas, dizem que você não idêntico a outra pessoa qualquer. Identidade é diferença!

A identidade de um indivíduo engloba os aspectos culturais, físicos, sociais, sexuais e intelectuais que ele possui (se eu esqueci algo, por favor, acrescentem em suas próprias leituras). Ela é gigante e complexa por natureza.

Entretanto, na nossa jornada infindável pela definição e classificação, acabamos por mediocrizar as identidades, analisando-as sob o ponto de vista simplista e massificante dos rótulos. O rótulo é, pois, uma classificação generalista das identidades que não faz jus nenhum à diversidade delas. Somando umas poucas características que, aos olhos não-atentos, parecem vir sempre em conjunto na maioria das pessoas cria-se o rótulo, ou estereótipo, que vai servir de base para a identificação e catalogação de outras tantas vítimas.
Até aí não teria problema, caso as pessoas rotuladas não fossem afetadas pelo título recebido. Mas não é assim que acontece. Por uma razão que eu desconheço - mas que certamente alguma teoria evolucionista ou psicologista pode explicar - as pessoas têm essa necessidade inerente de pertencer a grupos sociais mais ou menos definidos. Aparentemente queremos ser rotulados. identificados, incluídos num grupo. Talvez porque a identidade grupal seja mais relevante numa sociedade populosa do que a identidade individual.

E na maioria das vezes, para ter a sensação de pertencimento/inclusão num grupo acabamos por assumir inteiramente o rótulo estereotipado que o define: não apenas assimilamos as características grupais que nos faltam, como também negamos aquelas que nos distinguem. Despimo-nos do eu verdadeiro para vestir a camisa do time, da igreja, da escola, da orientação sexual, do estilo musical e outros grupos semelhantes. Perdemos a nossa identidade em prol do conforto de ser de um grupo e, quando nos damos conta, somos apenas mais um número nos censos classificatórios.

Fugir desse futuro quase apocalíptico não é tão difícil:

* Primeiramente, não mude você mesmo apenas para agradar ou ser incluído pelos outros. Mudanças só são bem vindas quando são necessárias para trazer melhorias ao seu bem estar e/ou ao do próximo;
* Depois, preste atenção no outro: conheça-o, entenda-o e tente aceitá-lo antes de forçar qualquer mudança nele;
* Por fim, busque a diversidade. Não se isole em um "mundinho fechado" dos seus semelhantes. Aventure-se (cautelosamente, se possível) no desconhecido, pois a diferença gera o debate e, com ele, o crescimento!

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Medo

O medo é o nosso cinto de segurança. São nossos grilhões, nossos arreios. O medo é a cerca no meio do caminho com uma placa dizendo "Seu limite está próximo". O medo nos impede de ousar, de ir além (seja o além um abismo ou o paraíso). O medo faz parte do que somos, é um caráter evolutivo, certamente conseguimos sobreviver por causa dele, mas e quanto ao viver?

Meus medos se difundem nas mais diversas áreas da minha vida. Às vezes eu costumo chamar de receio, precaução, intuição ruim, mas no fundo eu sei que é medo. Meu medo mais comum é de acidentes, e nele se inserem o medo de altura, velocidade e, mais recentemente, do mar. Em resumo pode-se dizer que eu tenho o medo primordial: o medo da morte. Também tenho medo de ser rejeitado, de não ser querido, de não ser aceito, o medo do ostracismo (que explica grande parte do meu comportamento).

Nessas últimas horas me veio um medo maior e mais preocupante, como uma onda de maré alta afogando apenas meu coração, era o medo de morrer sozinho.

Já há algum tempo eu vejo amigos se afastando de mim e eu me afastando daqueles que julgava serem amigos. Olhando em volta, além da minha família (os amigos incondicionais), só me restou uma única pessoa que eu confio em chamar de amigo, e eu posso dizer que é mais por esforço dele do que meu. O que eu sei é que agora eu não sei mais como fazer e manter uma amizade verdadeira, e isso me dá muito medo.

Meu pior pesadelo, quando sonho acordado, é me ver sozinho no mundo: com tantas coisas interessantes pra fazer sem ter com quem compartilhar, com tantos riscos a correr e ninguém pra me salvar, com tanto a evoluir e ninguém a quem mostrar, com tanto a sofrer e ninguém para confortar. E cada passo que dou na longa linha do tempo me deixa mais próximo desse cenário.

Preciso de ajuda, preciso de amigos, preciso deixar que esse medo exista apenas como uma vaga lembrança.

E você? Tem medo de quê?
Essas músicas aqui falam sobre o medo, dê uma olhada:
The Fear - Lily Allen
Miedo - Lenine e Julieta Venegas

quinta-feira, 4 de março de 2010

Perdido

Estar perdido não é não saber onde está, é não saber para onde ir.
É isso que eu penso, é nisso que acredito e é assim que estou.


Nos últimos dias, talvez meses, tenho pensado sobre o futuro, especificamente o meu, mas tudo que eu consigo vez é uma imagem embaçada, nuvens escuras, névoa. Meu futuro tem se mostrado indefinido para mim.
Estou perdido não num plano físico, mas no plano temporal. Não é como se não houvesse nada à minha frente, como se eu não tivesse para onde ir, é justamente o contrário. Quando eu era criança eu sonhava com o futuro, planejava, traçava meus passos num belo caminho imaginário. Mas aí o futuro chegou, finalmente, e eu já peguei tantos atalhos, desvios, rotas alternativas que já não sei mais por onde seguir e, por fim, esqueci meu destino.
Agora me vejo frente às diversas alternativas que já desejei, todas com um futuro brilhante e feliz à mostra e eu simplesmente não sei o que escolher. Queria ficar com todas, seguir todas, mas parece que os caminhos felizes da vida fatalmente não podem ser paralelos. Por que tanta dicotomia? Porque tantas escolhas auto-excludentes?
Minha mente não é uma só. Minha alma não é uma só. Sou múltiplo e estou dividido. Um multiverso num universo de caminhos marcados por escolhas.
E então estou perdido: nenhum mapa, bússola ou GPS, nenhuma dica, conselho ou orientação pode me ajudar. A estrada eu já conheço, só não sei aonde vai dar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Eu e a Morte

Eu vi a morte, de novo.

Ela veio atrás de mim.

Vi a morte nos olhos de outro.

Eu senti.


Eu vi a morte caminhando

Sobre a água violenta.

Ouvi gritos ecoando

Enquanto a maré rebenta.


Vi o que tanto rejeito:

A eterna escuridão.

Com sua mão em meu peito

Me apertando o coração.


Dessa vez foi mais intenso.

Dessa vez foi mais claro.

Quando o terror imenso

Me deixou sem amparo.


Impressa em minha mente

Aquela lembrança forte

Ficará eternamente.

Eu vi a morte.


E ela voltará.