sábado, 30 de outubro de 2010

Te conheço?




Quem é a pessoa que você mais conhece? Sua esposa(o)? Seus pais, seus irmãos(ãs)? Seus amigos?

Quando entramos na vida de algumas pessoas e passamos a conviver um longo tempo com elas começamos a acreditar que as conhecemos. Porém, o que aconteceu antes de nos encontrarmos? Quem era ela? O que ela fez ou costumava fazer? Como foi seu passado?

E então criamos laços: amizades, namoro, família, passando a ter afeto por uma imagem que sequer sabemos se é real, mas que gostamos e, por incrível que pareça, confiamos. Apenas para depois de um tempo sermos traídos, enganados, ludibriados. De quem é a culpa afinal?

Sua! Minha! Daqueles que não buscam no passado, na história, o alicerce de um bom (e seguro) relacionamento.

E que terrível insulto é entrar na vida do outro sem antes perguntá-lo sobre seu passado! É como ser atraído apenas pela beleza física, é como se nada que o outro tenha feito no passado, de bom ou ruim, tenha qualquer valor, é como querer construir uma nova história do zero, sem pedir permissão. Pior ainda é omitir ou falsear o próprio passado, é traição prévia.

Ainda há aqueles que, muito irresponsavelmente, cultivam o amor em solo raso, escasso de conhecimento um do outro. Como pode algo tão sublime, que compromete tanto a saúde física, mental, espiritual, crescer sobre o frágil suporte de mentiras, meias-verdades, ilusões e pouca informação?

Você não entregaria sua chave de casa, do carro, sua senha do abnco a um estranho. Mas corações são fartamente distribuídos a torto e a direito por aí. Ficar, namorar, casar são relações íntimas, perigosas e podem se tornar frágeis e instáveis quando não há conhecimento mútuo.

Mas, e agora? Ceder ao "padrão" global que trata as relações afetivas interpessoais dessa maneira ou fazer "do jeito certo" e correr o risco de ficar sozinho até a morte??

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Rótulos


O ser humano é um bicho complexo (é bicho mesmo!). Não apenas do ponto de vista morfo-anato-fisiológico, mas por ser algo difícil de definir.

Essa dificuldade vem do fato de que nós somos a única espécie conhecida (por nós, obviamente) que tem esse hábito de definir tudo o que encontra - definimos, identificamos e classificamos praticamente tudo à nossa volta, da microscópica molécula perdida no nada até a gigantesca galáxia em que estamos perdidos - esbarrando, contudo, na definição de nós mesmos.

Convenhamos, porém, que é muito mais fácil definir o outro, o estranho, o externo do que a si próprio. Como delimitar o que é a nossa própria identidade?

Primeiramente vou esclarecer qual será a noção de identidade usada daqui por diante: a identidade não é aquele papel com sua foto, o nome de seus pais, sua data de nascimento e outras pequenas informações. Ela também não é o número escrito no papel (aquilo é seu Registro Geral, vulgo RG). A identidade é um conjunto de fatores que lhe caracteriza, que lhe identifica, que diz quem você é. Ela é, portanto, o conjunto de informações que, juntas, dizem que você não idêntico a outra pessoa qualquer. Identidade é diferença!

A identidade de um indivíduo engloba os aspectos culturais, físicos, sociais, sexuais e intelectuais que ele possui (se eu esqueci algo, por favor, acrescentem em suas próprias leituras). Ela é gigante e complexa por natureza.

Entretanto, na nossa jornada infindável pela definição e classificação, acabamos por mediocrizar as identidades, analisando-as sob o ponto de vista simplista e massificante dos rótulos. O rótulo é, pois, uma classificação generalista das identidades que não faz jus nenhum à diversidade delas. Somando umas poucas características que, aos olhos não-atentos, parecem vir sempre em conjunto na maioria das pessoas cria-se o rótulo, ou estereótipo, que vai servir de base para a identificação e catalogação de outras tantas vítimas.
Até aí não teria problema, caso as pessoas rotuladas não fossem afetadas pelo título recebido. Mas não é assim que acontece. Por uma razão que eu desconheço - mas que certamente alguma teoria evolucionista ou psicologista pode explicar - as pessoas têm essa necessidade inerente de pertencer a grupos sociais mais ou menos definidos. Aparentemente queremos ser rotulados. identificados, incluídos num grupo. Talvez porque a identidade grupal seja mais relevante numa sociedade populosa do que a identidade individual.

E na maioria das vezes, para ter a sensação de pertencimento/inclusão num grupo acabamos por assumir inteiramente o rótulo estereotipado que o define: não apenas assimilamos as características grupais que nos faltam, como também negamos aquelas que nos distinguem. Despimo-nos do eu verdadeiro para vestir a camisa do time, da igreja, da escola, da orientação sexual, do estilo musical e outros grupos semelhantes. Perdemos a nossa identidade em prol do conforto de ser de um grupo e, quando nos damos conta, somos apenas mais um número nos censos classificatórios.

Fugir desse futuro quase apocalíptico não é tão difícil:

* Primeiramente, não mude você mesmo apenas para agradar ou ser incluído pelos outros. Mudanças só são bem vindas quando são necessárias para trazer melhorias ao seu bem estar e/ou ao do próximo;
* Depois, preste atenção no outro: conheça-o, entenda-o e tente aceitá-lo antes de forçar qualquer mudança nele;
* Por fim, busque a diversidade. Não se isole em um "mundinho fechado" dos seus semelhantes. Aventure-se (cautelosamente, se possível) no desconhecido, pois a diferença gera o debate e, com ele, o crescimento!

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Medo

O medo é o nosso cinto de segurança. São nossos grilhões, nossos arreios. O medo é a cerca no meio do caminho com uma placa dizendo "Seu limite está próximo". O medo nos impede de ousar, de ir além (seja o além um abismo ou o paraíso). O medo faz parte do que somos, é um caráter evolutivo, certamente conseguimos sobreviver por causa dele, mas e quanto ao viver?

Meus medos se difundem nas mais diversas áreas da minha vida. Às vezes eu costumo chamar de receio, precaução, intuição ruim, mas no fundo eu sei que é medo. Meu medo mais comum é de acidentes, e nele se inserem o medo de altura, velocidade e, mais recentemente, do mar. Em resumo pode-se dizer que eu tenho o medo primordial: o medo da morte. Também tenho medo de ser rejeitado, de não ser querido, de não ser aceito, o medo do ostracismo (que explica grande parte do meu comportamento).

Nessas últimas horas me veio um medo maior e mais preocupante, como uma onda de maré alta afogando apenas meu coração, era o medo de morrer sozinho.

Já há algum tempo eu vejo amigos se afastando de mim e eu me afastando daqueles que julgava serem amigos. Olhando em volta, além da minha família (os amigos incondicionais), só me restou uma única pessoa que eu confio em chamar de amigo, e eu posso dizer que é mais por esforço dele do que meu. O que eu sei é que agora eu não sei mais como fazer e manter uma amizade verdadeira, e isso me dá muito medo.

Meu pior pesadelo, quando sonho acordado, é me ver sozinho no mundo: com tantas coisas interessantes pra fazer sem ter com quem compartilhar, com tantos riscos a correr e ninguém pra me salvar, com tanto a evoluir e ninguém a quem mostrar, com tanto a sofrer e ninguém para confortar. E cada passo que dou na longa linha do tempo me deixa mais próximo desse cenário.

Preciso de ajuda, preciso de amigos, preciso deixar que esse medo exista apenas como uma vaga lembrança.

E você? Tem medo de quê?
Essas músicas aqui falam sobre o medo, dê uma olhada:
The Fear - Lily Allen
Miedo - Lenine e Julieta Venegas

quinta-feira, 4 de março de 2010

Perdido

Estar perdido não é não saber onde está, é não saber para onde ir.
É isso que eu penso, é nisso que acredito e é assim que estou.


Nos últimos dias, talvez meses, tenho pensado sobre o futuro, especificamente o meu, mas tudo que eu consigo vez é uma imagem embaçada, nuvens escuras, névoa. Meu futuro tem se mostrado indefinido para mim.
Estou perdido não num plano físico, mas no plano temporal. Não é como se não houvesse nada à minha frente, como se eu não tivesse para onde ir, é justamente o contrário. Quando eu era criança eu sonhava com o futuro, planejava, traçava meus passos num belo caminho imaginário. Mas aí o futuro chegou, finalmente, e eu já peguei tantos atalhos, desvios, rotas alternativas que já não sei mais por onde seguir e, por fim, esqueci meu destino.
Agora me vejo frente às diversas alternativas que já desejei, todas com um futuro brilhante e feliz à mostra e eu simplesmente não sei o que escolher. Queria ficar com todas, seguir todas, mas parece que os caminhos felizes da vida fatalmente não podem ser paralelos. Por que tanta dicotomia? Porque tantas escolhas auto-excludentes?
Minha mente não é uma só. Minha alma não é uma só. Sou múltiplo e estou dividido. Um multiverso num universo de caminhos marcados por escolhas.
E então estou perdido: nenhum mapa, bússola ou GPS, nenhuma dica, conselho ou orientação pode me ajudar. A estrada eu já conheço, só não sei aonde vai dar.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Eu e a Morte

Eu vi a morte, de novo.

Ela veio atrás de mim.

Vi a morte nos olhos de outro.

Eu senti.


Eu vi a morte caminhando

Sobre a água violenta.

Ouvi gritos ecoando

Enquanto a maré rebenta.


Vi o que tanto rejeito:

A eterna escuridão.

Com sua mão em meu peito

Me apertando o coração.


Dessa vez foi mais intenso.

Dessa vez foi mais claro.

Quando o terror imenso

Me deixou sem amparo.


Impressa em minha mente

Aquela lembrança forte

Ficará eternamente.

Eu vi a morte.


E ela voltará.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Feliz Ano Velho

Como já se passaram 13 dias após o Réveillon e eu já estou convicto de que, infelizmente ou não, já estou em 2010, me sinto à vontade, agora, em revelar meu maior pedido de Ano Novo:

Queria que 2009 tivesse começado de novo.

Não que tenha sido um ano bom, cheio de alegrias e momentos felizes que eu queira repetir, muito pelo contrário: o balanço de 2009 revelou um saldo positivo de tristezas e erros. E é por isso que eu queria/quero voltar.

Gastei um bom tempo imaginando se, ao virar a folha de Dezembro de 2009, eu me deparasse novamente com Janeiro de 2009, mas com a grande vantagem de que eu me lembraria de tudo que aconteceu nesse ano.

Ah! Eu poderia voltar atrás de cada decisão, consertar cada pequeno erro, fazer diferente, fazer melhor! Eu poderia me prevenir dos perigos, evitar as tristezas, decepções, arrependimentos. Poderia trilhar o caminho da felicidade apenas me desviando dos trajetos infelizes. Manteria os fatos alegres, as coisas boas da vida, o lazer e o prazer.

Bom, mas não aconteceu. 2010 chegou e, como se não bastassem os problemas e aflições que viraram o ano comigo, ainda tenho que estar preparado para aqueles que este ano me reserva. Que Deus me ajude!

E já que eu não posso (por enquanto) voltar no tempo, é melhor eu cuidar bastante das minhas ações agora, pra que eu possa ter um Feliz Ano Novo no final.