sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A violência do dia-a-dia. E nós com isso?

Vim falar sobre algo que me indigna e achei um bom texto pra ilustrar isso. Segue abaixo:

Hoje eu acordei cedo e fui ao ponto de ônibus para ir ao trabalho. Quando estava quase chegando, um “ladrão” me abordou e levou meu celular. O dia na empresa foi cansativo e o almoço foi uma droga – afinal, não dá pra comer bem se você só tem 3 reais no bolso. Mas já não se podia andar com muito dinheiro por aí. Quando estava voltando pra casa, pensei em passar na farmácia e comprar um remédio pra dor de cabeça. No meio do caminho, porém, outro “ladrão” me rende e toma minha carteira, onde estava o cartão de crédito (o 3º roubado nesses últimos 4 meses) e umas moedas de troco do almoço. Voltei andando pra casa, lembrando do carro que tinha sido meu até semana passada e que agora estava na mão de um outro “ladrão”. Quando cheguei, exausto, quase agradeci por não ter que abrir os três cadeados do portão, pois eles tinham sido arrombados hoje mesmo. A porta, felizmente estava intacta, mas não faria muita diferença também. Sem televisão, computador ou rádio para me entreter, comi alguma coisa, tomei um banho e deitei-me na cama, esperando o dia seguinte começar.

Assim tem sido o dia típico do cidadão típico de Feirópolis, pelo menos desde que aprovaram a lei municipal que oficializa a profissão Bandido. Os “ladrões” – ou “Profissionais do Crime”, como preferem ser chamados – têm total liberdade para exercer seu trabalho em toda a região do município. Além disso contam com carteira assinada, direito à aposentadoria, sindicato e estão lutando agora por um plano de saúde para a categoria. Recentemente foram beneficiados por uma medida que pune (com multa ou cadeia) aqueles que os agredirem física ou verbalmente durante o seu horário de trabalho. Isso aconteceu depois de várias queixas do sindicato contra pessoas que reagiram violentamente contra assaltos e seqüestros.

As pessoas da cidade não aceitaram muito bem a nova lei nos primeiros meses, mas a maioria delas já estava tão acostumada com a criminalidade do dia-a-dia que achou que tal banalidade talvez nem precisasse de lei. Elas não sentiram muita diferença nos índices de crimes antes e depois da lei, talvez tivesse aumentado um pouco. No geral, pessoas continuavam a ser assaltadas, roubadas, seqüestradas e mortas, bandidos continuavam soltos e os dias continuavam passando. Alguns revoltados fizeram cartazes, passeatas e manifestações, dizendo que aquilo era um absurdo e que os políticos estavam legislando em prol da própria classe. Algumas fofocas diziam que o plano de carreira do “Profissional do Crime” incluía até a candidatura à Prefeito.

No mais, eu continuo vivendo, não tão seguro, não tão tranqüilo, mas ainda assim vivo. À noite, enquanto eu espero o sono, fico pensando em tudo o que aconteceu durante o dia, e cada vez mais considero a hipótese de mudar de profissão.


\o/ ¬º. Assalto. Violência banalizada no Menssenger.

Cabe a nós as escolhas que vão transformar nossa cidade em uma "Feirópolis" ou não.

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