sábado, 15 de outubro de 2011

Abandono

Eu de novo. E de novo. E dessa vez escrevo pra mim mesmo, pouco me fudendo pra quem, por acaso, estiver lendo. Se quiser entender, entenda. Se não, foda-se você também.
É porque hoje estou com raiva e, na falta de alguém melhor para culpar, culpo a mim mesmo. E aí começa a discussão interna que pode levar ao caos o mundo aqui de dentro.
É que hoje eu preciso de amor, hoje preciso de carinho, hoje preciso de atenção e cadê? Abandono.
As pessoas estão fugindo de mim, evanescendo à minha volta, correndo dessa criatura estúpida, arrogante, chata e entediante que me tornei. Tudo por que um dia eu tive a idéia absurdamente idiota de ajudar, agradar e deixar todos felizes.
Quando as pessoas com quem eu me importo estão tristes, eu sinto sua tristeza. Vou lá alegrá-las, mesmo que para mim a situação possa estar ainda pior. Mas quando elas estão felizes e eu não, simplesmente não consigo ficar feliz por elas, apenas afundo-me ainda mais no poço lodento da depressão. Que tipo de monstro invejoso eu sou?
Mas é verdade e estou triste. E preciso de atenção, amor, carinho e alguém pra me alegrar. E cadê? Cadê?!

Na verdade essa sensação de abandono vem de 3 motivos principais:
1. Minha irmã mais nova está morando em outra cidade. Já faz um ano. No começo ela voltava todo final de semana, mas agora isto está cada vez mais raro. Por mais que eu tenha previsto que isso aconteceria, é tão difícil quando acontece! Eu sinto que a estou perdendo aos poucos e cada vez mais, perdendo-a para outra cidade, para outros amigos, para outra família! E a sensação horrível de que ela não vai mais voltar, de que nunca mais vai ser como antes, de que a separação é definitiva, isso me destrói a cada manhã. E isso me deixa ciumento e incrivelmente chato, o que só a afasta mais.

2. Estou perdendo o contato com o meu melhor amigo. E apesar de ainda morarmos apenas a algumas dezenas de metros, a distância temporal tem nos afastado. Pelo menos é isso que ele diz. Bullshit! Nos últimos meses eu até tenho tentado me fazer mais presente na rotina dele, participando dos mesmos grupos e eventos, mas ele pouco interage comigo, conversa comigo, e muitas vezes sequer expressa satisfação quando eu estou por perto. Agora ele tem novos amigos, novos interesses, novos futuros. E eu? Bom, acho que eu pertenço ao passado.
É isso ou ele sempre foi assim e eu nunca reparei. E agora, num momento de carência, eu finalmente percebo. Sinto que isso, na verdade, começou quando ele conseguiu uma quase-namorada (é, quase). Costumava pensar em nós como sendo two of a kind, tínhamos tantas coisas em comum e de repente tudo mudou. Ou fui eu que mudei meu modo de vê-lo, não sei. Era como se a conexão sobrenatural que eu imaginava existir entre a gente tivesse sido quebrada e agora eu estava sozinho. O único da espécie enquanto ele virava mais um na multidão. E isso me deixou ciumento e incrivelmente chato, o que só o afastou mais.
Sim, eu tenho ciúmes dos meus amigos e amigas, das minhas irmãs, dos meus pais, de todos os que amo tão imensamente que torna-se possessivamente. Isso cria em mim um medo grande e insano de perdê-los para sempre.
3. Eu me formei. E mesmo que isso possa parecer feliz no momento, também traz consequências ruins a longo prazo. Principalmente para mim, que amo minha turma. (minha história de amor com a minha turma é muito grande. Acho que vou deixar pra outro post). Com o fim da graduação, as pessoas começaram a se dispersar, seguir seus próprios caminhos, debandar a procura de suas respectivas felicidades. Como é difícil reunir a galera de novo, passar um tempo juntos, nos divertirmos! Isso me deixa cada dia mais triste, porque não é que eu não possa fazer nada pra resolver, o problema é que EU NÃO SEI O QUE FAZER!

Bom, é isso, perdido de novo.
Queria que alguém lesse isso. Queria que as pessoas certas lessem isso. Mas acho que aí já é pedir demais.
Vou procurar o ombro da minha nova melhor amiga pra chorar e espero que ela me mostre um novo caminho pra felicidade.

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