"Ói eu aqui travez!"
E parece que eu só venho aqui quando eu tô perdido, na esperança de encontrar aqui o meu destino.
Na verdade eu tenho visto este blog, recentemente, como uma espécie de "penseira", na qual ao escrever meus pensamentos eu estaria depositando-os fora da mente, numa tentativa de organizá-los. Nesse processo eu acabo esperando encontrar o novo ou o antigo rumo, por ora perdido, como quando você arruma o quarto e redescobre um brilho novo nas coisas velhas ou finalmente encontra aquilo que, no passado, você tanto procurou.
Hoje eu vim falar sobre a inveja. Sim, aquele sentimentozinho horrendo e abominável, que separa as pessoas e só traz desgraças e dores, não é? NÃO É?!
Não é. Pelo menos não como eu penso a inveja. A inveja surge pela diferença entre as pessoas e pelo valor atribuído a essa diferença. Logo, enquanto houver pessoas diferentes julgando-se (a si e ao outro) melhores ou piores, haverá inveja. Isso não é essencialmente ruim, afinal a inveja, assim como o amor, é nada mais que um sentimento se não vier acompanhado de ações.
E aí está o problema: tradicionalmente a inveja tem sido vista como causadora de más ações, mas eu não acredito que ela sequer cause, por si só, qualquer ação. É muito mais provável, para mim, que a inveja atue como motivadora de ações. Mas que tipo de comportamento a inveja poderia motivar?
Um deles é o comportamento destrutivo. Tendo a diferença sido estabelecida, uma pessoa acaba possuindo algo considerado bom e a outra ou não possui o mesmo, ou possui algo considerado ruim. Sendo assim, aquele que está no lado desavantajado da balança pode tentar reestabelecer o equilíbrio, a equidade, tentando destruir ou danificar o que de "bom" o outro possui. Esse tipo de atitude, apesar de motivado pela inveja, é mediado por outros sentimentos que permeiam a relação entre as pessoas, como o amor (ou ódio), a amizade (ou inimizade) e o respeito (ou desrespeito). Esses sentimentos, sim, terão papel crucial no caráter da ação motivada pela inveja.
Me parece também que a inveja está quase sempre relacionada à cobiça. Quando há diferenças entre as pessoas e uma delas possui algo que é considerado melhor, é natural que a outra deseje também ter aquilo. Nesse caso, ela pode tentar roubar para si o que é do outro, inclinando a balança de vantagens para o seu lado. Porém nem tudo pode ser roubado, não é?
Contudo, não esqueçamos que a cobiça é meramente desejar fervorosamente algo para si. Cobiçar, mediado pela inveja, é desejar para si algo semelhante ao do outro, mas não necessariamente ou exatamente o que o outro possui (a não ser, é claro, que tal posse seja algo incomparável e exclusivo).
Portanto, é possível satisfazer a cobiça motivada pela inveja sem ter que roubar. Comprando, criando, construindo para si o que o outro tem, tentando alcançá-lo ou até superá-lo, trabalhando para torna-se melhor, para ter o melhor. Acredito que isso é popularmente conhecido como "inveja boa".
Nos animes que assisto, a inveja aparece regularmente como motivadora de rivalidades entre personagens que, apesar disso, não deixam de ser amigos. Medindo-se pelo outro é possível, inclusive, alcançar juntos as melhorias desejadas, num processo ilimitado!
Isso, é claro, vai depender da relação já estabelecida entre as pessoas. Quando algo de "bom" acontece a alguém que você ama, espera-se que você se alegre pela conquista do outro, mas isso não é tão fácil quando se acredita estar no lado carente da balança. Então existe o sentimento de decepção e raiva consigo mesmo que, se bem canalizado, pode levar a atitudes construtivas positivas para si.
Por fim, o que eu concluo é que não existe inveja boa ou má. Existem pessoas boas ou más e relações de afeto ou desafeto nas quais a inveja surge. Nessas situações, ela será motivadora de ações, cujo caráter (bom ou mau) dependerá da índole do invejoso e das relações entre invejoso e invejado.

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